Ninguém ganha, sem primeiro aprender a lidar com as perdas


A perda é uma das mais recorrentes e frustrantes experiências humanas. Está também entre as mais mobilizadoras. Mas, fato é que ninguém deseja passar por ela.

Somos demasiadamente apegados porque isso nos dá a ilusória sensação de estabilidade e segurança. Toda crise por perda é inversamente proporcional ao apego. Explico:

Quanto mais apegados a algo ou a alguém, mais dificuldade teremos de nos refazer ante sua perda. Por isso, o ciúme, a inveja, a ansiedade, configuram-se sempre pelo medo antecipado da perda.

Por que sofremos com as perdas?

Ela traz a sensação de diminuição de nosso universo pessoal. Imaginamos que jamais seremos os mesmos.

A música Roda Viva, de Chico Buarque expressa muito bem essa sensação, ao dizer: A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu.

Esse verso da música refere-se à sensação de encurtamento de nosso mundo pessoal, enquanto sentimos que o mundo lá fora tornou-se mais hostil.

Em outras palavras, focamos, involuntariamente, com certo exagero, a situação. Nos sentimos oprimidos, invadidos pela imensidão do mundo e consequentemente indefesos e instáveis.

Nessa sensação muita gente perde o equilíbrio e a sequência da própria vida, vindo a experimentar crises recorrentes de ansiedade em alto grau, paralisando, em grande parte dos casos, todas as suas atividades.

Isso ocorre porque não conseguimos focar no que de positivo existe em redor. O temor provocado pela expectativa de perda acaba consumindo todas as energias e só enxergamos o medo.

Como aprender a lidar com isso? Duas atitudes são importantes.

1. Primeiro, é preciso fazer as pazes com a mutabilidade do mundo.

Não tem jeito. Tudo muda. Eu, você e todas as demais pessoas deste planeta, mudam radicalmente a cada dez anos. Quer ver? Imagine-se com 10, 20, 30 e 40 anos. A cada década, mudamos radicalmente.

A natureza deste mundo é tão mutável que nem mesmo os objetos inanimados escapam. Eles também mudam através do desgaste. Oxidam, ficam rotos pela ação do sol ou chuva...

Tudo muda. Quanto mais rápido você aceitar isso, mais chance terá de ficar firme diante dos desafios provocados pelas mudanças.

Firmeza não é a capacidade ficar estático e imutável, mas de equilibrar-se nas mudanças. Pense no equilibrista. Ele só fica firme porque é capaz de lidar com mudanças que ocorrem na corda, logo abaixo de seus pés.

2. Precisamos aprender a diferença entre ocorrência e sensação.

Então você afirma:

- Claro que todo mundo sabe a diferença entre ocorrência e

sensação. Ocorrência é o fato. Sensação é a emoção.

Perfeito. Mas na prática, costumamos não ter essa fronteira assim tão clara. Quando surge o medo da perda, surge também a ansiedade e passamos a fantasiar, viver e sofrer por aquilo que ainda não aconteceu.

Perdas e ganhos não são apenas ocorrências. São especialmente sensações. E elas existem independente das ocorrências. Por isso há pessoas que mesmo perdendo, enxergam ganhos secundários nas ocorrências, ao enxergar mais que a situação.

Essas pessoas habitualmente focam na vida como um todo, ainda que uma parte dela lhes tenha sido subtraída.

Mas, o contrário também é verdadeiro. Quem traz consigo a constante medo da perda, acaba nunca compreendendo os ganhos. O medo anestesia a alma e por mais que ganhemos, sempre restará a sensação de estarmos perdendo.

Por isso, no jogo que é viver, para aprender a ganhar, primeiro precisamos aprender a lidar com as perdas. Elas são tão essenciais quanto os ganhos em nossa saúde integral.

Aposte na vida.

Domingos Alves

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